Tenho estado a pensar como descrever por palavras a sensação que nos preenche quando apanhamos uma onda e surfamos. Confesso que tenho tido muita dificuldade em encontrar as palavras certas. Não encontro sinónimos, não consigo inventar metáforas, nenhuma frase me parece verdadeira, correcta, aproximada à emoção de surfar. Estará o surf, realmente, para lá das palavras? Se sim, então é mais uma razão para este Blog ser uma estupidez. Parem as máquinas, fechem os browsers, vamos mas é todos clikar para outro lado que daqui não sai mais nada a não ser espuma, ondas, que é bom, estão é na água, no mar, no mar oceano... Mas, se calhar, sou só eu que não tenho engenho e arte para escrever o que não tem descrição.No meio da reflexão lembrei-me de uma coisa. Talvez a explicação para ser tão difícil descrever as emoções associadas ao surf esteja no facto de o acto de surfar ser um acto desprovido de pensamentos, estar numa onda é estar ausente de pensamentos, ausente de reflexões, mesmo ausente de tempo. Nesses poucos segundos em que fazemos uma onda a nossa mente está como que em pause, a única preocupação é aproveitar a onda até esta chegar ao fim, mais nada. Só o corpo sente a onda, ou então é uma parte do cérebro a que não temos acesso quando estamos conscientes, algum neurónio lá no fundo do hemisfério direito, inacessível à razão.
E o resto do surf é a arte contemplativa por excelência, é a última técnica de meditação Zen, o despojamento absoluto. Sentado na prancha à espera da próxima onda ao ritmo do balanço da ondulação só eu, o mar e o céu depois do horizonte. Surfar é não pensar em nada, é contemplar e sentir em absoluto. E o melhor jardim Zen do universo são as estrelas e o mar.
por Pedro Arruda no blog ONDAS
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